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Douro, Portugal
Carla Costa Ferreira não deu ouvido aos pessimistas, recuperou vinhedos que ninguém queria e modernizou a vinícola da família. A recompensa: vinhos de personalidade própria com laços profundos com o terroir do Douro Superior
O sobrenome Costa Ferreira remonta aos primórdios das comunidades portuguesas que povoaram há mais de 800 anos o Alto Douro. Esta sub-região, também conhecida como Douro Superior, é responsável pela produção de vinhos de alta gama, reconhecidos em todo o mundo como o que de melhor se produz em Portugal. A família ampliou sua importância no cenário vitícola da região, ainda nas décadas de 70 e 80, quando os irmãos Luís e José Costa Ferreira, personagens fundamentais na consolidação da empresa, anexaram as Quintas da Veiga e do Chão do Pereiro, duas das maiores vinícolas da região, além de serem responsáveis diretos pelo fortalecimento da Cooperativa Adega do Vale da Teja, naquele período.
As sementes da Conceito só germinam, no entanto, uma década depois, com a chegada ao comando da vinícola da sua atual presidente, Carla Costa Ferreira. Diante da desconfiança de colaboradores e de produtores locais, a herdeira impõe novos métodos profissionais, recupera vinhedos que ninguém queria e coloca em marcha a reestruturação da vinícola. Em 2005, conclui a consolidação do projeto idealizado por ela, com a construção de uma nova e moderna adega, já sob a batuta da enóloga portuguesa Rita Ferreira Marques. Localizados entre 300 e 400 metros de altitude, seus vinhedos estão cultivados ao sul do vilarejo de Cedovim, em uma faixa estreita que se estende por 73 hectares caracterizados pela plasticidade de sua topografia sinuosa, pelo solo pedregoso e xistoso e por seus distintos terroirs. É dali que provém as diferentes uvas que compõem o DNA dos brancos e tintos das linhas Conceito, Contraste e Vintage.
Acompanhando a linha reta da entrada do Vale da Teja, 20 hectares da vinícola recebem o nome de Quinta da Veiga. Mais ao norte, tendo o Castelo de Numão ao fundo, encontra-se outro vinhedo de idêntico tamanho, o Quinta do Chã-do-Pereiro. E vizinho a ele, o maior e mais importante dos terroirs da Conceito: o Quinta do Cabido. Em seus 23 hectares, as videiras, algumas delas com mais de 50 anos, são plantadas em um terreno cujo formato lembra um grande anfiteatro natural, com exposição solar sul. Com microclimas singulares, ali são cultivadas as uvas Touriga Nacional, Touriga Franca, Tinta Roriz, Tinta Barroca, Sousão e Bastardo, entre outras castas tintas lusas. A vinícola ainda possui um vinhedo de 10 hectares, na parte mais elevada do vale, cujo solo granítico e clima mais fresco favorecem o cultivo de castas brancas, como a Alvarinho, Arinto, Códega, Donzelinho, Viosinho e Gouveio.
Por conta da altitude e da posição geográfica ocupada pelos vinhedos, o clima é um aliado natural. Com temperaturas médias entre 12° C e 14° C (dois graus mais baixo que nas demais sub-regiões do Douro), baixo índice pluviométrico e maior amplitude térmica, tal cenário proporciona colheitas mais tardias que a média regional, entre 15 a 20 dias. Com isso, o ciclo vegetativo das uvas é mais longo e as maturações mais lentas, o que dá origem a vinhos mais frescos e menos alcoólicos. Visando a qualidade das uvas, o manejo das vinhas é realizado manualmente incluindo poda em verde e práticas da agricultura orgânica.
Tais cuidados nos vinhedos também se estendem à adega. As cubas termocontroladas de última geração são em número suficiente para permitir uma capacidade quase ilimitada de microvinificações, respeitando a procedência das uvas. Em cada uma delas, busca-se constantemente o equilíbrio e o respeito pelo caráter de cada uma de suas variedades. A coexistência de modernas cubas de aço inoxidável com os tradicionais lagares de granito expressam a perfeita aliança entre a modernidade e a tradição que norteiam a filosofia desta vinícola lusa. O resultado: vinhos de caráter próprio com laços profundos com o terroir do Douro Superior.
